quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Bauduco

Eu acordo todo dia bem cedo porque trabalho na região metropolitana da cidade. Como não tenho carro acabo por utilizar o transporte fretado que a empresa oferece para os funcionários. Acontece que:

1) Eu moro meio longe da fábrica, então o meu ponto fica no começo do trajeto.
2) O meu ponto não fica do lado da minha casa. Ando algumas boas quadras, por cerca de 20 minutos e na subida.

Então, pra não perder o ônibus tenho que sair de casa uns 20/25 minutos antes de o ônibus passar no ponto. E para a minha surpresa tenho conseguido acordar a tempo de não precisar correr o caminho da minha casa até onde pego o ônibus. E acredite, isso aconteceu algumas boas vezes!
A maravilha do post de hoje aconteceu no trajeto que fiz caminhando bem tranqüila até lá em cima, sem pressa. Bom, quando saio do portão do meu prédio, viro a esquerda. Aí quando acaba a quadra, viro a esquerda novamente. E aí sigo umas 7 quadras até o destino final.

Hoje qual a minha surpresa quando cheguei no final do meu quarteirão e encontrei um cachorrinho vira-latas. Ele caminhou do meu lado e eu pensei “Parace mistura de Teckel...” Ele tinha a cor da Trufa, o pelo da Trufa, o focinho da Trufa, o andar da Trufa e o olho da Trufa! Trufa é a minha Teckel. Só tinha as patas mais compridas e as orelhas não caíam tanto. E ele lá do meu lado... Lá pelas tantas percebi que ele andava rapidinho e parava alguns metros à frente. Quando eu o alcançava, ele seguia do meu lado. Começava a trotar rapidinho e me passava. Quando chegava lá na frente, ele esperava! E foi assim até o meu ponto.

Em determinado momento o sinal estava fechado para pedestres mas os carros estavam longe ainda. Hesitei, mas acabei dando um passo à frente. O guapequinha estava parado, olhando fixamente os carros que estavam vindo. Eu olhei pra ele e pensei ”Ok, eu espero fechar”. Aí quando abriu, ele andou bem devagar como se estivesse desfilando! E nisso veio um carro que virava do cruzamento com aquela rua e a moça que dirigia, diminuiu a velocidade. Olhou para o cachorro e olhou bem para mim e parecia indagar se o menino estava comigo. Continuamos nosso trajeto. Eu e o cachorro.

Parei no meu ponto e ele sentou um pouco. Era divertido ver o pulguentinho se coçando. Aí ele ficou inquieto e decidiu seguir uma senhora que vinha no sentido contrário ao qual fizemos. Eu me senti um tanto quanto preterida. Quando ela virou a quadra.... ele voltou. Depois de alguns segundos atravessou a rua, que tinha duas pistas e um canteiro no meio. Aí eu me derreti. Ele chegou no canteiro e ficou me olhando. Com um olhar piduncho, ele pedia para eu ir também... Eu não podia, claro. O ônibus estava quase chegando. Aí o que ele fez? Voltou! Atravessou do canteiro para o ponto e ficou do meu lado.

Nisso chegou a Natalie (minha amiga do café) e disse: “Oi Bauduco” Combinou com ele! Ele tinha uma carinha linda de Bauduco, mesmo!
E assim que o ônibus chegou, nos despedimos dele que estava deitado na calçada e não entendeu nada quando subimos. A Vivi que estava no ônibus, também é cachorrólatra e eu contei a história para ela. Ela disse que dava vontade de levar embora.
Era exatamente o que eu queria fazer. Levar o Bauduco pra minha casa! Se eu morasse em uma casa, ou sozinha certamente o faria.

Confesso que o Bauduco me emocionou hoje. Eu não dei nada pra ele. Não ofereci nada em troca. E o que ele fez? Ficou do meu lado, me fez companhia... De graça! Tão raro nas pessoas hoje em dia. Mas eu vou tomar isso como um exemplo!

Pensamento aleatório do dia: Faça companhia a um desconhecido. Você pode fazer um amigo ;o)

Vou aproveitar e divulgar um evento em prol desses bichinhos que são tão especiais!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Junto Café e Bistrô

Andando pelas calçadas de um bairro charmoso nos deparamos com uma portinha.
Fui entrando deixando-me levar pela curiosidade.
Era uma soleira pequena e que levava a uma parede cor-de-rosa, se não me falha a memória. Ao entrar com minha amiga Natalie naquele lugar, fomos recebidas por Beata. Simpática e com sotaque bem carregado. Era um café com cara de casinha. Ela contava que era dia das bruxas na Polônia (ah! Está explicado!) e ela preparava o café-bistrô, que naquela hora estava vazio, para os devidos rituais. Ela disse que poderíamos descobrir nosso futuro com a cera da vela! Era final do dia e prometemos que voltaríamos mais tarde para participar. Duas horas depois estávamos lá.
Como seria o dia das bruxas na Polônia?!
Confesso que estava ansiosa.
Quando nós chegamos, o lugar estava cheio de mulheres e meninas. Pareciam felizes e muito a vontade com aquele evento. Ou pelo menos com a simpática Beata. A Sara, peruana igualmente simpática, nos recebeu. Estava todo escuro o café. Como manda a tradição. Algumas pequenas velas na mesas. Como cheiravam bem! O cuidado com aquela noite era perceptível no arranjo de muffins para as convidadas. Muito delicado e me remetia a um café da tarde de algum outro lugar, o qual eu nunca tivera ido. Sentamos na mesa dos muffins, que foram retirados dali somente para nos acomodar.
Sentamos e o ritual não havia começado. Era um misto de ansiedade e êxtase. Eu olhava para a Natalie nós sorríamos uma para a outra como se disséssemos “Chegamos no final do arco-íris!”. Que lugar lindo. Pequeno e aconchegante. Era cheio de cor (vimos quando fomos a tarde desbravar a soleira), detalhes, elementos que pareciam ter sido retirados de uma revista de decoração folk, ou de artesanato. Eu me encantei com a atmosfera que tomava conta daquele lugar. A Beata trouxe um bowl com água gelada. E é claro que até o bowl era lindo, com uma ferragem que desenhava o contorno de algumas folhas. Então tudo começou. Uma a uma as convidadas iam “conhecer seu futuro”. Algumas se exaltavam e viam muitas coisas diferentes nas suas formas. Outras, mais tímidas, esperavam o veredíto da bruxa polonesa. E o futuro se vê assim: Despeja-se a parafina derretida que está em uma latinha, na água gelada. Mas a parafina tem que passar pelo buraco de uma chave grande que se segura com a outra mão. Serve para “abrir os segredos”. A parafina em contato com a água se resfria e faz uma forma sólida. E é desse desenho que se interpreta o futuro. Fica mais fácil colocando a forma contra luz na parede para ver a sombra.
A minha vez chegou e lá fui eu despejar minha parafina. Pensei em coisas boas. Filhos, dinheiro, trabalho e uma casona. Uma massa desforme, meio gutural apareceu. Era o que eu tinha visto ali... Um útero, um coração. “Devem ser os filhos” pensei. E Beata disse “Uma bolsa”. Não me fez muito sentido. Ela me olhou e continuou “Significa fortuna. É uma bolsa de dinheiro. Não se parece com uma bolsa de dinheiro? Você vai ter muita fortuna” A Nat sorrindo disse que parecia a bolsinha do Robin Hood. E lá estava ela, a bolsinha recheada de moedas. Ficou clara para mim.
Em seguida a Natalie descobriu seu futuro. O mapa mundi se formava naquele aquário. Ela vai viajar muito, muito. O mundo inteiro!
Foi dessa forma que uma segunda-feira que poderia ser tão comum se tornou mágica e surreal. Quase que em um universo paralelo.