Andando pelas calçadas de um bairro charmoso nos deparamos com uma portinha.
Fui entrando deixando-me levar pela curiosidade.
Era uma soleira pequena e que levava a uma parede cor-de-rosa, se não me falha a memória. Ao entrar com minha amiga Natalie naquele lugar, fomos recebidas por Beata. Simpática e com sotaque bem carregado. Era um café com cara de casinha. Ela contava que era dia das bruxas na Polônia (ah! Está explicado!) e ela preparava o café-bistrô, que naquela hora estava vazio, para os devidos rituais. Ela disse que poderíamos descobrir nosso futuro com a cera da vela! Era final do dia e prometemos que voltaríamos mais tarde para participar. Duas horas depois estávamos lá.
Como seria o dia das bruxas na Polônia?!
Confesso que estava ansiosa.
Quando nós chegamos, o lugar estava cheio de mulheres e meninas. Pareciam felizes e muito a vontade com aquele evento. Ou pelo menos com a simpática Beata. A Sara, peruana igualmente simpática, nos recebeu. Estava todo escuro o café. Como manda a tradição. Algumas pequenas velas na mesas. Como cheiravam bem! O cuidado com aquela noite era perceptível no arranjo de muffins para as convidadas. Muito delicado e me remetia a um café da tarde de algum outro lugar, o qual eu nunca tivera ido. Sentamos na mesa dos muffins, que foram retirados dali somente para nos acomodar.
Sentamos e o ritual não havia começado. Era um misto de ansiedade e êxtase. Eu olhava para a Natalie nós sorríamos uma para a outra como se disséssemos “Chegamos no final do arco-íris!”. Que lugar lindo. Pequeno e aconchegante. Era cheio de cor (vimos quando fomos a tarde desbravar a soleira), detalhes, elementos que pareciam ter sido retirados de uma revista de decoração folk, ou de artesanato. Eu me encantei com a atmosfera que tomava conta daquele lugar. A Beata trouxe um bowl com água gelada. E é claro que até o bowl era lindo, com uma ferragem que desenhava o contorno de algumas folhas. Então tudo começou. Uma a uma as convidadas iam “conhecer seu futuro”. Algumas se exaltavam e viam muitas coisas diferentes nas suas formas. Outras, mais tímidas, esperavam o veredíto da bruxa polonesa. E o futuro se vê assim: Despeja-se a parafina derretida que está em uma latinha, na água gelada. Mas a parafina tem que passar pelo buraco de uma chave grande que se segura com a outra mão. Serve para “abrir os segredos”. A parafina em contato com a água se resfria e faz uma forma sólida. E é desse desenho que se interpreta o futuro. Fica mais fácil colocando a forma contra luz na parede para ver a sombra.
A minha vez chegou e lá fui eu despejar minha parafina. Pensei em coisas boas. Filhos, dinheiro, trabalho e uma casona. Uma massa desforme, meio gutural apareceu. Era o que eu tinha visto ali... Um útero, um coração. “Devem ser os filhos” pensei. E Beata disse “Uma bolsa”. Não me fez muito sentido. Ela me olhou e continuou “Significa fortuna. É uma bolsa de dinheiro. Não se parece com uma bolsa de dinheiro? Você vai ter muita fortuna” A Nat sorrindo disse que parecia a bolsinha do Robin Hood. E lá estava ela, a bolsinha recheada de moedas. Ficou clara para mim.
Em seguida a Natalie descobriu seu futuro. O mapa mundi se formava naquele aquário. Ela vai viajar muito, muito. O mundo inteiro!
Foi dessa forma que uma segunda-feira que poderia ser tão comum se tornou mágica e surreal. Quase que em um universo paralelo.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
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3 comentários:
É sempre ótimo ter essas histórias mágicas nas nossas vidas, espero que você guarde esse momento com muito carinho em seu coração!
=*
Conforme eu lia sua descrição, revivi todos os momentos da nossa feliz Noite das Bruxas. Desejo que tenhamos muitas segundas-feiras como essas em nossas vidas! Você com sua bolsa do Robin Hood, e eu com o meu mapa mundi. Momentos mágicos que ficarão para sempre na memória :)
Quero ir lá também, mas não vou esperar 1 ano
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