
Ontem eu estava meio triste e decidi ia ao cinema sozinha depois do trabalho. O impasse de decidir entre os dois filmes disponíveis naquele horário: "Não, minha filha, você não irá dançar" e "O amor pede passagem" como sempre me deixou ansiosa. Confesso que em qualquer outro momento eu teria decidido pelo primeiro... O filme francês, cult e cabeça... Não gosto desses rótulos, mas sei que por outros eles poderiam ser utilizados para descrever o filme em questão. Também não gosto de saber sobre o filme antes de assistir, logo não costumo ler sinopses... Mas acabei lendo a desse filme e achei promissora. Eu estava com a filipeta do cinema na mão enquanto aguardava na fila. E na minha vez de comprar o ingresso, quando o menino da bilheteria perguntou "Qual filme?" Disparei sem pensar um "O amor pede passagem". E fiquei até surpresa com a minha escolha já que este se pré-encaixava na prateleira dos melosos, bobos e afins... Mas pensei comigo mesma "Não to com cabeça para filme denso, mesmo..."
Enfim, ao entrar na sala éramos um casal e eu. Logo mais uns 17 outros casais se juntaram a nós.
Não queria escrever sobre a história em si, mas mais sobre a experiênica. Mas para justificar vou falar um pouco.
O filme começou e logo de cara senti uma atmosfera meio "Little Miss Sunshine", ou "Juno"... Mas ao mesmo tempo eu não acreditei muito nela... o jeito era esperar pra ver.
Tem a Jennifer Aniston no papel de Sue, uma executiva quase bem sucedida. Depois vem o Mike, quem faz o papel é o Steve Zahn . Ele trabalha no motel, de beira de estrada, dos pais. É o cara solteiro, ingênuo, doce e as vezes até bobo. Ela tem um ex- namorado, Jango que é interpretado por Woody Harrelson. Um ex-punk milionário muito caricato e ao mesmo tempo carismático. Bem parecido com uns tipos que conheci. Bom... Triângulo amoroso em comédia romântica é redundante, mas é esse o enredo básico!
Aos poucos me envolvi com a trama... Começava a me identificar ora com a Sue ora com Mike... Isso mexeu comigo. E de repente, não mais que de repente... Me percebi com um nó na garganta. E aí eu ri com algumas cenas bem pastelão, o que não faz nenhum pouco meu estilo, mas pela surpresa do humor escrachado estar tão bem inserido naquele romance, gostei. E depois de rir um pouco eu chorei novamente. A sutileza de alguns conflitos, quase implícitos ali, é de uma beleza ímpar. Com ela o paradoxo de algumas frases de impacto que ficaram martelando na minha cabeça para anotar depois e transcrever em alguma rede social. Incrível. Parecia que aquela escolha quase que por uni-duni-tê na bilheteria tinha sido muito bem pensada. O filme era o que eu precisava naquela hora. Chorei rios e piscinas ali no escuro sem que ninguém visse enquanto todos se divertiam ou até bocejavam. Mas eu é que me identifiquei ali, como talvez não me identificasse se assistisse ao mesmo filme outro dia, em outro lugar, ou até mesmo se estivesse acompanhada.
De qualquer forma, é um filme belo. Li hoje algumas críticas a respeito e percebi que muitos não gostaram da mistura que ali foi feita. Mas eu acho que a (não) leveza do roteiro aliada a estréia na direção de Stephen Belber (que também escreveu o roteiro) e também a escolha dos atores, resultaram em uma obra que, no meu ponto de vista, merece muitos prêmios. E me fez pensar, refletir sobre mim, sobre os que estão a minha volta... Sobre situações parecidas que eu passei ou que vou passar e o peso das suas conseqüências.
Então é assim... Recomendo, mas sei que você pode odiar! É tudo bem relativo e está nos olhos de quem vê! Mas como eu tive uma boa surpresa, fica a dica ;)

